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Artigo

Mobilidade sobre IPv6


Escrito por Dairton Luiz Bassi Filho


  

Índice do Artigo

  

Mobilidade sobre IPv6
Introdução
Mobile IPv6
Comunicação
Protocolo Hierárquico
Mecanismo de handoff no cliente
Referências


Mecanismo de handoff no cliente

Apesar do IPv6 fornecer suporte à mobilidade ainda há pontos que podem ser refinados para tornar a comunicação wireless tão sólida e transparente quanto uma rede fixa. Esta seção explora mecanismos que provêem a transição entre redes de forma menos traumática à unidade móvel.

A navegação através de redes estrangeiras não é totalmente transparente, muitas interrupções ocorrem durante a passagem de uma rede para outra. Muitas vezes a unidade móvel perde contato com a rede por onde está e para continuar é preciso conectar-se a outra rede. O objetivo é evitar, ou minimizar, a “quebra” na comunicação permitindo que o host móvel decida quando trocar seu ponto de conexão.

Uma das características previstas no FMIPv6 (Fast Mobile Internet Protocol versão 6) proposto pela IETF é a detecção de movimentos e a minimização da latência no handoff.

Quando o handoff é eminente a unidade móvel continua o trafego pela conexão e inicia o processo de registro em outro roteador. Entretanto, um ponto em aberto neste mecanismo é identificar quando iniciar o processo de handoff.

Uma possível abordagem para disparar um processo de handoff é adicionando algoritmos a entidades da rede, como roteadores e agentes, de forma que percebam o status das unidades móveis enviando avisos para a troca de rede. Esta técnica possui alta complexidade pois requer mudança em componentes da rede.

Uma segunda maneira de tratar este problema é adicionando inteligência no lado do cliente. Assim cada unidade móvel pode decidir quando o handoff é apropriado. Nesta abordagem é criado um Módulo de Handoff (MoH) que gerencia as trocas de rede.

Para identificar os roteadores e realizar o handoff com eficácia o MoH interage com três camadas da rede. A camada de enlace, consultando o status do link. A camada do IPv6 obtendo as informações sobre os Router Advertisements (RA) através do Neighbor Discovery. E com a camada de TCP por onde o status da conexão é acompanhado.

Posição do Módulo de Handoff em relação às camadas de rede

A unidade móvel inicia o processo de handoff sempre que recebe um RA, para evitar handoffs indesejados o MoH filtra os anúncios dos roteadores para evitar conexões com sinal mais fraco e força o handoff sempre que necessário.

Para determinar qual o melhor ponto de conexão é adicionado à unidade móvel um RA cache, que possibilitará estabelecer prioridades para escolher o melhor roteador. Os critérios de seleção de RA são divididos em dois grupos conforme sua importância, os de maior importância são:

Os critérios de menor importância são: O MoH usa o status da camada de enlace para monitorar a conectividade do link. Isso ajuda a aumentar a velocidade da detecção da desconexão de um link.

Para iniciar um handoff existem dois cenários onde seguramente este processo faz sentido.

Quando o atual ponto de conexão apresenta algum erro ou torna-se inacessível. Neste caso para evitar a perda de muitos dados transmitidos ou que deveriam ser recebidos a unidade móvel deve fazer um Hard Handoff. O handoff é iniciado pelo handler do MoH que monitora o status do link assim que a desconexão é detectada usando a próxima entrada da RA cache.

O segundo caso ocorre quando o handler da camada de enlace detecta problemas com o link, nesta situação um Soft Handoff é iniciado, caso o MoH verifica o status da conexão TCP, se não existir uma conexão TCP o handoff é automaticamente iniciado, se existir alguma conexão, ela pode ser preservada, diminuindo o valor limite de qualidade de sinal. Se a qualidade do sinal continuar a cair e atingir o novo limite o processo de handoff é iniciado, conforme os critérios de prioridade.

O hard handoff oferece um risco potencial de perda de alguns pacotes enquanto o soft handoff, teoricamente, não perde nenhum pacote.

Se em qualquer dos cenários não houver nenhum RA na RA cache, o IPv6 Neighbor Unreachability Detection é invocado para encontrar um novo ponto e conexão.

Handoff rápido para aplicações multimídia e de tempo real

A especificação do IPv6 dá suporte a aplicações multimídia e de tempo real através dos campos flow e classe de tráfego do cabeçalho IP. Esta adaptação estimula ainda mais o crescimento deste tipo de aplicação. Na internet os dados dessas aplicações requerem um tratamento adequado para preservar a qualidade do serviço este tratamento é oferecido tratando os dados como um fluxo.

Para atender as requisições de qualidade de serviço alguns protocolos foram desenvolvidos, mas em geral são adequados para redes fixas e nunca tem o mesmo desempenho com dispositivos móveis.

O RSVP (Resurce reSerVation Protocol) é usado em aplicações de tempo real reservando recursos no caminho entre um host e outro. Quando um dos hosts é móvel e muda seu ponto de conexão, o caminho deve ser re-configurado. A unidade móvel só pode fazer isso depois de determinar seu novo care-of address e enviar um binding update ao host comunicante. O tempo gasto com o processo de handoff somado ao estabelecimento de uma nova seção do RSVP é considerável e prejudica a qualidade do serviço.

Para otimizar o processo de handoff o RSVP precisa ser adaptado para tornar possível que uma nova seção RSVP seja criada antes de encerrar a atual. Isto requer estabelecer um túnel entre o roteador antigo (RA), que a unidade móvel está, e o novo roteador (NR), para onde ela irá. Através deste túnel pacotes poderão ser recebidos e envidados pela unidade móvel até que ela finalmente estabeleça e mude seu ponto de conexão para receber diretamente os pacotes. A principal vantagem desta abordagem é que a comunicação continua enquanto a unidade móvel configura seu novo care-of address.

Esta técnica tornasse viável com IPv6 devido à capacidade da unidade móvel manter um endereço fixo, o home address, e adquirir outros care-of addresses simultaneamente, assim, a unidade móvel pode receber dados por uma interface enquanto configura outra.

Neste protocolo, para realizar um handoff de forma suave a unidade móvel notifica o RA com o endereço IP de NR. O RA estabelece com NR um túnel IP bidirecional por onde podem ser encaminhados pacotes para a unidade móvel. Porém este túnel não serve para a recepção dos dados pelo RSVP porque a nova seção RSVP ainda não possui um estado configurado.

Quando a unidade móvel adquire seu novo care-of address ela envia um binding update para o host correspondente sem deixar de usar o caminho antigo passará a enviar mensagens RSVP para o NR configurando o estado da seção RSVP e estabelecendo os termos da qualidade de serviço no caminho até NR.

Quando as mensagens percorrem o caminho até NR, passam por roteadores que ainda não acordaram com as requisições de qualidade de serviço, até que estes se acomodem às necessidades do serviço um tempo é perdido que prejudica e torna esta comunicação inaceitável. A solução é criar um segundo túnel, do RA para a unidade móvel, este é um túnel RSVP que garante a qualidade de serviço de um ponto ao outro. Assim, os dados são enviados passando pelo caminho antigo e pelo RA antes de chegarem na unidade móvel. Quando a nova rota fica pronta a unidade móvel envia um binding update definitivo para o host comunicante informando que a comunicação RSVP pode ser feita pelo novo caminho.


Última atualização 28/08/2008 14h09

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