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Artigo

Migração para IPv6 de aplicações usuárias da interface de programação Sockets BSD


Escrito por Elvis Pfützenreuter


  

Índice do Artigo

  

Migração para IPv6 de aplicações usuárias da interface de programação Sockets BSD
Introdução
IPv6: principais mudanças em relação a IPv4
Convivência entre IPv4 e IPv6
Usos práticos do IPv6, hoje
Interface Sockets BSD para programação em IPv6
A interface /proc do Linux
Exemplos de código Sockets BSD para IPv6
Conclusão
Bibliografia


3. Usos práticos do IPv6, hoje

Muito embora HAGEN (2002) não recomende nenhum novo investimento de vulto em IPv4, a verdade é que as entidades (pessoas, empresas, instituições) via de regra utilizam a informática como meio de resolver problemas, e não como um fim em si, e não migrarão para IPv6 até que:

a) precisem acessar serviços disponíveis apenas em IPv6;

b) os endereços IPv4 esgotarem-se de todo.

Nenhuma das duas coisas deve acontecer no futuro breve. O mais provável é que os endereços IPv4 tornem-se assintoticamente mais escassos; os critérios cada vez mais rígidos de alocação impedirão seu esgotamento total.

É certo porém que, para o usuário final, tornar-se-à praticamente impossível obter um endereço IPv4 público e estático. Isso já é uma realidade, se consideramos que os endereços dinâmicos singelos atribuídos a linhas discadas e ADSL impedem o usuário de hospedar um domínio, tornando-o um cidadão de segunda classe na Internet. Outros truques que provedores usam (e.g. Redirecionamento de tráfego Web para enlaces baratos e roteadores NAT) tornam o usuário um net-cidadão de terceira classe, sem IP público, cuja percepção de Internet restringe-se ao protocolo HTTP.

Dito isso, existe algum uso prático do IPv6 nos dias de hoje?

Sim, existe. IPv6 tem características únicas que o tornam útil mesmo não houvesse perspectiva de uma Internet IPv6.

A principal delas é a auto-configuração. Como já foi dito, cada interface de um nó IPv6 tem um endereço auto-configurado, baseado no endereço de enlace. Muito embora esse endereço seja apenas local (não pode trafegar na Internet), costuma ser suficiente.

Isso pode ser útil num ambiente com dispositivos embarcados, onde não se pode esperar haver um administrador de rede. Tanto os dispositivos como os eventuais servidores têm de ser totalmente stateless, o que exclui o uso de DHCP e outros protocolos afins.

Adicione-se redes wireless a este cenário; distribuição de endereços IP é um problema sério em redes wireless. Todas as soluções (rodar DHCP em cada ponto de acesso, rodar DHCP num único servidor para toda uma área wireless e utilizar os recursos 802.11 para evitar a troca de IP) têm vantagens e desvantagens. Todas têm alguma necessidade de configuração.

Numa rede wireless IPv6, assumindo não haja divisões da rede em segmentos de terceira camada, o DHCP é completamente desnecessário. Dependendo da situação, pode-se optar mesmo por redes ad-hoc, sem pontos de acesso.

A auto-configuração não se restringe a uma rede local singela; pode-se utilizar os endereços site-local auto-configurados e atribuir o prefixo de rede de forma dinâmica, desde que haja ao menos um roteador configurado para isso. Numa aplicação isolada, pode-se despachar o dispositivo-roteador com números de rede fixos.


Última atualização 02/09/2008 18h34

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