Migração para IPv6 de aplicações usuárias da interface de programação Sockets BSD
Escrito por Elvis Pfützenreuter
CONCLUSÃO
A necessidade do IPv6 é premente, e as ferramentas necessárias para sua implementação estão prontamente disponíveis. As iniciativas de utilização surgem a todo momento: vários provedores de serviços importantes já disponibilizam acesso via IPv6.
Alguns poucos provedores de acesso já oferecem acesso IPv6 nativo; não é surpresa isso ocorra em regiões como Japão, Austrália e Europa, menos privilegiadas na distribuição das faixas IPv4. A próxima grande frente de adoção de IPv6 é a América Latina.
O grande temor de muitos, e gancho para críticas severas ao IPv6, foi a dificuldade de obtenção de
momentum para que a comunidade Internet começasse a efetivamente utilizar esse novo protocolo. Hoje, esse é um problema resolvido. Já existe uma boa massa crítica de documentação, software e administradores de rede capacitados em IPv6.
Resta agora que a necessidade dos recursos disponíveis unicamente em IPv6 aperte um pouco mais, o que vai ocorrer num futuro não muito distante.
E a necessidade não deve tardar. Segundo alguns, a próxima grande revolução é a substituição massiva do telefone por conexões rápidas à Internet; a comunicação de voz será absorvida pela voz-sobre-IP, que é uma tecnologia bem estabelecida. Mas não há como acomodar todos os terminais telefônicos no espaço de endereçamento IP atual.
E antes de os endereços IP estarem esgotados, os roteadores NAT já terão infernizado o suficiente os administradores de rede, a ponto de todos considerarem a migração para IPv6.
Quem já tentou implementar um esquema de voz-sobre-IP entre duas corporações, cada uma com seu
firewall, conhece bem esses problemas. A única solução funcional hoje para H.323 e IPv4 é fornecida por um grande fabricante de equipamentos de rede – cujo uso implica aquisição de hardware caro.
Das ferramentas de implementação IPv6, a mais importante é sem dúvida a interface de programação de aplicações (API). As duas famílias de sistemas operacionais mais importantes do mercado atual, Windows e UNIX, já possuem APIs implementadas e funcionais.
Conforme este trabalho pôde demonstrar, a API Sockets BSD para IPv6 é uma interface bem definida, bem resolvida, suficientemente independente de plataforma para que qualquer software de rede IPv6 (exceto talvez softwares de configuração de baixo nível e.g.
ifconfig e
route) seja portável entre os UNIX modernos.
Mais que isso, a sua concepção permite criar aplicativos prontos para IPv6, e que "pensam" unicamente em IPv6, mas funcionam corretamente numa rede puramente IPv4 ou mista IPv4/IPv6. Os softwares novos prevêem apenas IPv6, os softwares antigos podem ser modificados para isso; mas tudo continua funcionando na Internet atual.
Em particular no mundo do software livre, que reage mais rápida e positivamente à mudança, esse recurso já tem sido bastante explorado e vários softwares de usuário e de serviços já estão prontos para IPv6, e até mesmo mostram os endereços IPv4 como
::FFFF.a.b.c.d.
Assim, é perfeitamente factível que, quando os provedores passarem a oferecer acesso IPv6 corriqueiramente, os usuários finais nem notem a diferença.
Concluímos assim afirmando que IPv6 é uma realidade inexorável, que ninguém pode mais dar-se ao luxo de ignorar. Porque as implementações e aplicações já existem; porque a necessidade é premente; porque bem ou mal já está sendo usado; porque é suportado pelos fabricantes; porque após um processo que já foi excessivamente demorado, foi a saída apontada pelo IETF, e não consta haja alternativa melhor; porque foi desenhado de modo a causar o menor impacto possível na Internet em funcionamento.
Última atualização 02/09/2008 18h55