Técnica de transição
Escrito por Rodrigo Regis dos Santos
Pilha dupla
Nesta fase inicial de implementação do IPv6, ainda não é aconselhável ter nós com suporte apenas a esta versão do protocolo IP, visto que muitos serviços e dispositivos de rede ainda trabalham somente sobre IPv4. Deste modo, uma possibilidade é a de se introduzir o método conhecido como
pilha dupla.
A utilização deste método permite que
hosts e roteadores estejam equipados com pilhas para ambos os protocolos, tendo a capacidade de enviar e receber os dois pacotes, IPv4 e IPv6. Com isso, um nó pilha dupla, ou nó IPv6/IPv4, na comunicação com um nó IPv6, se comportará como um nó apenas IPv6, e na comunicação com um nó IPv4, se comportará como um nó apenas IPv4.
Trafego de pacotes com a arquitetura pilha dupla.
Cada nó IPv6/IPv4 é configurados com ambos endereços, utilizando mecanismos IPv4 (ex. DHCP) para adquirir seu endereço IPv4, e mecanismos do protocolo IPv6 (ex. auto-configuração e/ou DHCPv6) para adquirir seu endereço IPv6.
Este método de transição pode facilitar o gerenciamento da implantação do IPv6, por permitir que este seja feito de forma gradual, configurando pequenas seções do ambiente de rede de cada vez. Além disso, caso no futuro o IPv4 não seja mais usado, basta simplesmente desabilitar a pilha IPv4 de cada nó.
Alguns aspectos devem ser considerados ao se implementar a técnica de pilha dupla. A necessidade de mudanças na infra-estrutura da rede deve ser analisada, como a estruturação do serviço de DNS e a configuração dos protocolos de roteamento e de
firewalls.
Em relação ao DNS, é preciso que este esteja habilitado para resolver nomes e endereços de ambos os protocolos. No caso do IPv6, é preciso responder a consultas de registros do tipo AAAA (quad-A), que armazenam endereços no formato do IPv6, e para o domínio criado para a resolução de reverso, o ip6.arpa. Para mais detalhes sobre o suporte do DNS ao IPv6, consulte a
RFC 3596.
Em uma rede IPv6/IPv4, a configuração do roteamento IPv6 normalmente é independente da configuração do roteamento IPv4. Isto implica no fato de que, se a rede antes de ser implementada a pilha dupla utilizava apenas o protocolo de roteamento interno OSPFv2, com suporte apenas ao IPv4, será necessário migrar para um protocolo de roteamento que suporte tanto IPv6 quanto IPv4, como IS-IS por exemplo, ou forçar a execução de um IS-IS ou OSPFv3 paralelamente com o OSPFv2.
A forma como é feita a filtragem dos pacote que trafegam na rede, pode depender da plataforma que se estiver utilizando. Em um ambiente Linux, por exemplo, os filtros de pacotes são totalmente independentes um dos outros, de modo que o
iptables filtra apenas pacotes IPv4 e o
ip6tables apenas IPv6, não compartilhando nenhuma configuração. No FreeBSD, as regras são aplicadas a ambos os protocolos, a menos que se restrinja explicitamente a qual família de protocolo as regras devem ser aplicadas, usando
inet ou
inet6.
Praticamente todos os Sistemas Operacionais utilizados nos dias de hoje estão com suporte a pilha dupla. Para ver uma relação desses SOs e como habilitá-los para o trafego IPv6 clique
aqui.
Última atualização 17/10/2008 14h49