O RIPE oferece um treinamento IPv6 para os provedores europeus. Tive a oportunidade de participar do mesmo hoje (05 de Outubro de 2009) e devo dizer que superou minhas expectativas.
O treinamento não cobre aspectos técnicos do IPv6, é mais motivacional, no entanto mesmo nesse aspecto tem uma abordagem bastante diferente daquela do nosso curso no NIC.br, embora essencialmente a mensagem seja a mesma.
Vale dar uma olhada no material do curso, em inglês, que pode ser encontrado em:
http://www.ripe.net/training/ipv6/index.html
E também no material em vídeo no YouTube:
http://www.youtube.com/ripencc
Alguns dos vídeos do youtube estão legendados, inclusive em Português (mas não todos). Vale assistir, em especial, a este:
http://www.youtube.com/watch?v=Qh3i6lDqWBM&feature=channel_page
Procurem também o vídeo da Hurricane Electric e do Google.
Um conceito interessante é o de que o IPv4 acabará em breve, estamos chegando no muro. Há organizações que estão já investindo em IPv6 e o implantando, sem gastar muito, ainda com tempo, paulatinamente. Quem não fizer isso vai ter de fazê-lo de forma muito rápida, daqui a uns 2 ou 3 anos... Isso (fazer de forma rápida, quando batermos no muro) sairá provavelmente bastante caro, e o investimento terá de ser feito praticamente de uma vez só... Uma boa forma de justificar o investimento agora, é tentar calcular esse investimento futuro, com não só a troca de equipamentos, mas a contratação de consultorias especializadas para implantação e treinamento de pessoal, por exemplo. Espera-se que o valor presente desse investimento futuro seja muito maior do que o que é necessário investir agora, para evitar a necessidade desse gasto no futuro...
Outro ponto interessante é a recomendação de que os provedores, como um primeiro passo, dêem a face IPv6 ou mundo! Ou seja, após pedir o bloco, um bom primeiro passo é anunciá-lo, e ativar o IPv6 nos serviços básicos, como website, email, dns, etc... Isso não é muito complicado de se fazer, vejam já os vários provedores brasileiros que estão seguindo esse caminho, como o Terra, Onda, Acessa, NipCable? , etc. Esse passo permite que se adquira experiência internamente, e ajuda a fomentar a adoção do IPv6 por outros. Após isso é recomendado implantar o IPv6 na rede interna, um departamento por vez. Deve-se dar ciência a toda organização sobre o IPv6, ou seja, se o cliente falar sobre IPv6 com o gerente de contas, ou ligar para o Atendimento ou NOC com problemas e dúvidas sobre IPv6, deve ser atendido de forma natural, da mesma forma que seria com algo relacionado ao IPv4. Não se deve designar um "especialista IPv6" na empresa, responsável por toda implementação e concentrando todo o conhecimento do protocolo. Ou melhor, pode até haver um lider nesse processo de implantação do IPv6, mas o conhecimento deve ser difundido, as mesmas pessoas que fazem o planejamento, configurações e resoluções de problemas para o IPv4 são as que devem fazê-lo para IPv6. Após esses passos, deve-se pensar em prover o IPv6 para o usuários finais. Como último passo, deve-se fazer o planejamento de como será feito o desligamento do IPv4, sem desligá-lo efetivamente. Planejar todos os passos para desligar o IPv4 é uma ótima forma de garantir que o IPv6 está plenamente funcional.
Os problemas principais, a ser superados nos próximos meses ou anos, citados no curso, são os que já conhecemos: dificuldades com equipamentos CPE, problemas com implementações pobres de IPv6 em firewalls e IDSs, falta de boas soluções para distribuição de carga e redundância em datacenters...
Bom trabalho a todos e espero que o relato seja útil!
Moreiras.
Para saber mais: